[Paleontologia] Espinossauro, o maior dinossauro carnívoro, era semiaquático como os jacarés, diz estudo.

Adorado por uns e odiado por outros fãs de Jurassic Park, é fato que o Espinossauro foi um dos protagonistas da franquia e "destronou" o Tiranossauro em Jurassic Park III. Mas, a franquia que é conhecida por retratar os dinossauros de forma extremamente realista, errou feio com o Espino. 

Segundo um estudo recente de novos fósseis do Spinosaurus aegyptiacus, monstro que viveu há 100 milhões de anos no norte da África, o maior de todos os dinossauros carnívoros também pode ter sido o único dino semiaquático, com adaptações esquisitíssimas, mais parecidas com as de jacarés ou hipopótamos. Saiba mais sobre:

Se a análise coordenada por Nizar Ibrahim e Paul Sereno, da Universidade de Chicago, estiver correta, a criatura de 15 m de comprimento teria contado com narinas estrategicamente localizadas para respirar com o corpo submerso, à maneira dos crocodilos. Suas patas de trás curtas e musculosas teriam ajudado o bicho a nadar com velocidade, e os dedos dessas patas poderiam ter sido unidos por uma membrana, como os de patos ou lontras. 
Reprodução do esqueleto do Spinosaurus aegyptiacus,
dinossauro semiaquático, em Washington. (Foto: Jim Bourg/Reuters)

ACHADOS E PERDIDOS  
A história do S. aegyptiacus é notoriamente complicada. Encontrados há quase um século, os fósseis originais do bicho foram levados por seu descobridor, o alemão Ernst Stromer von Reichenbach, do Egito para um museu em Munique, mas a instituição acabou sendo bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial, o que pulverizou os ossos pré-históricos. 
De lá para cá, mais fósseis da espécie foram achados no Marrocos e na Argélia, mas o material era muito incompleto. A novidade é que Ibrahim e Sereno encontraram um novo esqueleto parcial do bicho –com partes do crânio, coluna, pelve e membros– e reconstruíram digitalmente o animal todo, usando ao máximo as informações dos fósseis mais antigos. 
O resultado surpreende em vários aspectos, a começar pelo fato de que a fera provavelmente era quadrúpede, o que também é único –todos os dinos carnívoros conhecidos são bípedes. 
A dentição do bicho parece apropriada para capturar peixes. Já os ossos são maciços e pesados, diferentemente, de novo, dos demais dinos carnívoros, cuja estrutura óssea é "pneumática", bastante leve. Os pesquisadores dizem que esse esqueleto, a exemplo do de animais semiaquáticos atuais, ajudava a dar estabilidade dentro d'água. E, tal como ocorre com os crocodilos e jacarés, o focinho do S. aegyptiacus tinha furinhos cuja única função conhecida é a de sensor de movimento dentro d'água. 
VELA 
Até a "vela" do bicho –um prolongamento dos ossos da espinha, formando uma crista ao longo das costas– pode estar ligada à vida semiaquática, diz Ibrahim. "Seria uma excelente estrutura de sinalização, ficando visível mesmo com o animal parcialmente submerso", explica. Sereno, por sua vez, compara o jeito de nadar do bicho ao de um pato com cauda de jacaré. 
Para o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da UFRJ, que já descobriu espécies brasileiras de "primos" do dino africano, as conclusões do novo estudo são plausíveis, mas não revolucionárias. 
"Muita gente já defendia, há muito tempo, que ele seria o dinossauro que mais passava tempo na água. Se por 'semiaquático' você quer dizer algo como um jacaré, acho que está OK", afirma. Para ele, a principal novidade está na demonstração da densidade dos ossos do animal, o que fortalece a hipótese da vida na água. 
Os leitores mais familiarizados com a fauna pré-histórica talvez estranhem o título de "único dinossauro semiaquático". De fato, os mares da época estavam cheios de répteis adaptados à vida em meio líquido, como os ictiossauros, que mais pareciam golfinhos. Mas todos esses bichos pertencem a linhagens muito distantes dos dinos. Até agora, tudo parecia indicar que os dinossauros propriamente ditos eram um grupo exclusivamente terrestre. 
O estudo está na edição eletrônica da revista especializada "Science".

Bom, se o estudo estiver correto, é mais um erro para a [extensa] lista de Jurassic Park III. Vale lembrar que dois 'parentes' do Espinossauro – o Barnyonix e o Suchomimus – serão duas das atrações do novo parque no novo filme da franquia, Jurassic World. Porém, ainda não foi confirmado se o Espino fará uma participação no filme.

Fonte da notícia: Folha de S.Paulo.
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Sobre os autores


Victor Nunes é o fundador da rede Mundo Jurássico BR. Com 18 anos de idade, reside em Guarulhos/SP, cursa Engenharia de Produção pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e é fã de Jurassic Park desde seus 8 anos, além de curtir outras produções de cinema e televisão da cultura pop. | Facebook | Twitter

Bruno Fernando é editor do Mundo Jurássico BR desde junho de 2015. Apaixonado pelo clássico de Spielberg desde criança, conheceu o romance original de Michael Crichton na adolescência e hoje, com 18 anos, se considera um fã de cultura pop e futuro jornalista.
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