Jack Horner explica a ciência por trás dos filmes e fala sobre 'Jurassic World'!

Horner é o paleontólogo oficial de todos os filmes da franquia desde 'Jurassic Park'.


Jack Horner foi aquele que inspirou Michael Crichton a escrever o personagem Alan Grant. Horner foi aquele que deu a luz que Spielberg precisava para trazer os dinossauros de volta à vida em Jurassic Park. E Horner é aquele que dá agora a luz que Trevorrow precisa para abrir o maior e mais perigoso parque temático do mundo: o Jurassic World! Em entrevista à Smithsonian, o paleontólogo falou sobre a ciência por trás dos filmes e explicou alguns aspectos de Jurassic World - que vem sendo fortemente criticados por outros paleontólogos-. Confiram a entrevista completa, traduzida:

Jack Horner em 1998 (Foto: Louie Psihoyos/Corbis)
Quando foi que você ouviu de Steven Spielberg sobre ajudar com Jurassic Park?

Michael Crichton criou um personagem em seu livro que era um cara de Montana que estudava o comportamento dos dinossauros [como Horner], e então Steven pegou este personagem e o fez mais parecido comigo. Então ele me chamou um dia e perguntou se eu queria trabalhar como um conselheiro científico no filme... E é claro que eu sabia quem era Steven Spielberg e eu realmente não leio livros de ficção, mas um amigo meu já tinha me chamado e me contado que meu personagem estava em um livro de dinossauros. E a minha primeira pergunta para ela foi se eu era devorado no livro. Ela disse que não, e eu disse: "Certo, isso soa bem". Quando Steven me perguntou se eu iria trabalhar no filme, eu disse: "Desde que eu não seja devorado, tudo bem."
Então Crichton baseou o Dr. Alan Grant em você? 
Eu acho que ele teve sorte de misturar Bob Bakker e eu. Ele leu e entendeu o livro de Bob Bakker, O Renascimento dos Dinossauros, e o meu livro, Escavando Dinossauros, e então ele misturou os personagens. E então, Steven veio e colocou mais de mim ao fazer o personagem Alan Grant. 
Em que você mais se parece com o Dr. Grant? 
Steven teve que me deixar com Sam Neill durante alguns dias, para que eu conhecesse sua família, e então ele tivesse alguma ideia de como era ser um paleontólogo. Quando ele [Grant] está parado no campo e olha o grupo de dinossauros à distância, no início de Jurassic Park, ele diz: "Eles se movem em manadas". Isso era sobre que eu trabalhava, sobre o comportamento social dos dinossauros. 
O que você fez como conselheiro científico? 
A minha função era de realmente trabalhar ao lado de Steven respondendo suas perguntas e confirmando o trabalho do pessoal da computação gráfica [ILM]. Minha função era ter certeza de que eles [os dinossauros] eram verossímeis e de que os seus movimentos estavam corretos. Basicamente eu estava lá para ter certeza de que alunos do sexto ano não iriam enviar cartas para eles falando que algo estava errado. 
E Spielberg fez "algo errado"? 
Havia muita coisa errada, mas era um filme de ficção. Não era um documentário. E eu estava satisfeito que o filme tivesse ficção nele, como qualquer outro. Eu queria que fosse um bom filme e então houve momentos em que Steven e eu discordamos sobre coisas, mas ele estava certo. Basicamente, se eu conseguia provar a ele que algo era verdadeiro ou não, ele me ouvia, mas se eu tivesse alguma dúvida, e nós não tivéssemos realmente uma evidência, ele fazia o que pensava e fez o melhor filme. 
Então... Os cientistas realmente podem extrair o "DNA dos dinossauros" de mosquitos petrificados? 
Nunca temos certeza absoluta de nada. Nós temos tentado por anos tirar o DNA de dinossauro de um mosquito no âmbar, mas não tivemos sorte ainda. O DNA é uma molécula muito grande e, portanto, não dura muito junta, ele vem separado em várias partes. E tanto quanto sabemos, até o momento não temos um DNA de milhões de anos atrás. O que temos são algumas partes de um DNA de um mamute lanudo, de dez mil anos atrás. Minha parceira, Mary Schweitzer, tem tentado há muito tempo identificar ou mesmo encontrar pequenos fragmentos de [DNA de] um dinossauro, mas nós não temos tido sucesso. 
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O trabalho de Horner na franquia Jurassic Park continuou no novo filme, que estreia em Junho.
Na imagem, Horner em 2011. (EPA/Francisco Guasco/Corbis)
Você trabalhou em Jurassic World, então vamos discutir sobre o trailer. O que é aquilo que come o grande tubarão branco no início? 
Aquilo não é, tecnicamente, um dinossauro. É um réptil marinho. É chamado de Mosassauro, e o tamanho daquele é um pouco desproporcional, mas nós não sabemos, de fato, qual o tamanho máximo de nenhum animal extinto. 
"Nós aprendemos mais na última década com a genética do que em um século escavando ossos." Essa frase [do trailer] é verdadeira? 
É verdade. Agora que nós sabemos que aves e dinossauros são parentes, que as aves realmente são dinossauros, nós temos suas genéticas... Nós estamos encontrando novos espécimes por todo o mundo, e nós estamos encontrando novas associações deles em todo o mundo com novas áreas de escavação. Muitos paleontólogos estão trabalhando agora, provavelmente muito mais do que tínhamos antes. 
E sobre o dinossauro "híbrido modificado geneticamente"? Ele poderá existir em algum momento?
É apenas engenharia genética e nós fazemos engenharia genética o tempo todo. Nós só não temos um dinossauro genuíno geneticamente criado ainda, mas nós sabemos como fazer isso.

É seguro navegar ao lado de dinossauros, como eles fazem no Jurassic World
Eu não vejo por que não... Se você tem dinossauros herbívoros, não há razão para não poder fazer isso. Eles agiriam apenas como os animais modernos que nós temos hoje. Seria como andar no meio de uma manada de vacas. 
Então se nós tivéssemos a habilidade de trazer de volta os dinossauros, nós deveríamos? 
Nos filmes, animais querem apenas devorar pessoas, e eles podem ser vingativos. Mas na vida real, não é assim. 
Você pode nos dar algumas dicas sobre o que esperar do novo filme? 
Será um dos bons. E o dinossauro criado será muito assustador. 

Jack Horner é curador de paleontologia no Museum of the Rockies, em Bozeman, Montana. O T-Rex do museu poderá ser visto quando o fóssil renovado for exposto no Museu Nacional de História Natural, em 2019. Uma nova exposição de dinossauros, "Os Últimos Dinossauros Americanos"começou a ser exibida no Museu de História Natural na semana passada.

É interessante observarmos o ponto de vista de Jack Horner, que cala a boca de alguns palontólogos e até alguns fãs da franquia, que esperavam ver dinossauros com penas em JW e ficaram indignados com o dinossauro híbrido no filme. 

Em relação aos dinossauros não serem mais [alguns] "cientificamente corretos", como o próprio Horner disse, Jurassic Park NÃO É uma série de documentários do Discovery, da BBC, ou qualquer outro. É uma série de FILMES. É fato que na época de seu lançamento, Jurassic Park causou espanto na própria comunidade científica pela "veracidade" dos dinossauros. Mas acredito que esse efeito tenha sido causado mais pelos efeitos especiais, já que nunca antes havia sido visto um dinossauro com tamanha riqueza de detalhes em qualquer mídia áudio-visual. Há erros científicos em JP, mas se você quiser ver dinos "cientificamente corretos", vá ver Planet Dinosaur. Se achar os efeitos ruins, e quiser ver um dinossauro REAL (verossímil), pare de reclamar e vá logo ver Jurassic Park!

Já sobre o dinossauro híbrido, eu não vou repetir tudo o que já falei [aqui], assim como Horner falou. É só pensar pelo ponto de vista de "e se o Jurassic World realmente existisse?". Se nós, seres humanos, tivéssemos a oportunidade de recriar dinossauros, nós o faríamos sim, como sugeriu Horner. E se nós tivéssemos a oportunidade de dar um novo passo para a ciência, criando um híbrido, não seria diferente.

E você, o que acha sobre a "ciência" de Jurassic Park e sobre o híbrido? Deixe seus comentários! Jurassic World estreia em 12 de junho de 2015!

Fonte: Smithsonian.com.
Tradução: Mundo Jurássico BR.
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Sobre os autores


Victor Nunes é o fundador da rede Mundo Jurássico BR. Com 18 anos de idade, reside em Guarulhos/SP, cursa Engenharia de Produção pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e é fã de Jurassic Park desde seus 8 anos, além de curtir outras produções de cinema e televisão da cultura pop. | Facebook | Twitter

Bruno Fernando é editor do Mundo Jurássico BR desde junho de 2015. Apaixonado pelo clássico de Spielberg desde criança, conheceu o romance original de Michael Crichton na adolescência e hoje, com 18 anos, se considera um fã de cultura pop e futuro jornalista.
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12 comentários :

  1. Concordo com cada palavra, cara. É muito mimimi sem nenhum fundamento.

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  2. eu acho que seria legal eles criarem esse negocio de Dino homem híbridos com dinossauros por que assim tiraria os que se acham céticos kkk afinal é ficção não é? vamos parar de ver Dino e ilha e ver algo mais novo passar de espécies e logo para invenção deixando o publico fanático no que ver vamos ser realistas quem quer ver animal atacando? está monótono vamos ver eles pegando as armas atirando nas pessoas kkk todos gostam de hibrido deixa de lado o que ficou nos outros filme e avança a tecnologia.

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  3. Jack Horner ignorou um FATO na ciência ao dizer
    que aindas estão tentando extrair DNA de dinossauros. FoI PROVADO que é
    IMPOSSÍVEL conseguire extrair DNA de milhões de anos, eles não duram
    tanto tempo e ficam fragmentados em poucas centenas de anos. O caso do
    mamute é que ele estava muito bem preservado no gelo, daí será possível
    cloná-lo usando a "barriga de aluguel" de um elefante pra nascer o
    mamute. Essa conversa de que a genética sabe como trazer de volta os
    dinossauros é é pura especulação.

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  4. O DNA encontrado em material fossilizado não sobrevive a mais de 6,8 milhões de anos.

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  5. Leandro, como o Horner disse, eles sabem sim como fazer, mas como você disse é impossível extrair o DNA. Mas é impossível ATUALMENTE. No futuro, quem sabe, mesmo com o DNA fragmentado, não seja possível?

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  6. pq vão continuar contando a historia com dinossauros ainda? afinal quero ver monstros inventado para o filme quero ver coisa nova renovaçao pense so ja sabemos como tudo termina sempre afinal para ter continuaçao o visto e tirar os dinossauros e colocar dinossauros hibridos por que sim não são especies são animais atuais criados para chamar a atençao mas imagina que maneiro ficaria um dinossauro portanto armas e atirando contras os humanos seria radical mas teria historia e nao seria a mesma historia de ilha é animais criados para correr atrás entao o que adianta mudar dinossauros e colocar hibridos iventados se será a mesma historia o hibrido nao é a renovaçao? e ficçao .

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  7. Não existem DNA fragmentados de dinossauros, se não existem, não podem extraí-los.

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  8. O último período que os dinossauros viveram foi o cretácio que tem cerca
    de 65 milhões de anos atrás. Ninguém vai conseguir extrair fragmentos
    de DNA em fósseis tão antigos porque o DNA não se sonserva e não existem
    se quer fragmentos de DNA daquela época, não sobrou nada. Estamos
    falando de millhões de anos, muito diferente do mamute de dez mil anos
    CONGELADO ainda por cima. No caso de insentos dentro do âmbar, complicadíssimo, o
    inseto teria que ter sido fossilizado imediatamente após sugar o
    sangue, do contrário não adiantaria nada, o DNA ficaria ultra
    fragmentado e a amostra de sangue seria inútil, ainda assim corre-se o
    risco de extrair o material "contaminado" com mais de um DNA, pois ali
    vai conter o próprio de DNA do inseto. Já tentaram extrair DNA de uma
    abelha extinta fossilizada em âmbar em vão... hehehe Jack Horner está
    brincando com a especulação científica, para o filme tudo bem, mas dizer
    que na vida real sabem como trazer dinossauros de volta é viagem
    demais... No filme parece fácil preencher lacunas de DNA, no próprio
    livro um computador "potente" se encarrega de fazer isso conforme o
    geneticista vai explicando detalhadamente como eles preenchem os
    fragmentos. Parece a coisa mais banal do mundo preencher os fragmentos
    de DNA mesclando com os anfíbios mas na vida real esse lance é complexo,
    como você preenche um fragmento que vc não sabe exatamente do que ele
    se trata? É um quebra cabeça sem ver e nem poder tocar nas peças, sem
    conhecer onde elas se encaixam. Hoje animais poderm ser clonados por
    técnica de mitose celular. Extrair DNA e gerar um clonce (desenvolver o
    embrião, crescer e tudo mais) é infinitamente mais complicado que isso. O
    embrião de um dinossauro seria desenvolvido aonde? Pois.

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  9. E já estão se preparando para clonar um mamute congelado, isso é bizarro. Não concordo de jeito nenhum. Deviam clonar os animais ameaçados de extinção. Ninguém sabe como o mamute reagiria, o habitát natural dele não existe demais, o animal ficaria solitário, isso é um horro. Diferente de animais ameaçados pelo próprio ser humano, esse sim merecem ser clonados...

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  10. O modo de recriar um dinossauro seria o de modificar o DNA de uma ave até vc conseguir criar um dinossauro, pelo que parece tem uma boa parte do DNA delas que seria "parecido" e tbm não é usado na hora da formação.
    Pelo que vi uma vez conseguiram fazer embriões de galinha criarem dentes, mas se nasceram eu não lembro.

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  11. Victor Nunes, acredito que essa seja a premissa da criação dos dinos em JW. Segundo o site da Masrani Global, os novos sequenciadores podem reconstruir uma molécula inteira de DNA a partir de um só fragmento.

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