Entrevista: Joe Johnston revela curiosidades e problemas na produção de "Jurassic Park 3"!

Nesta segunda (18), o filme Jurassic Park III completa 15 anos desde o seu lançamento! O terceiro filme da franquia jurássica foi o primeiro dela a não ser dirigido por Spielberg, que deixou a direção para seu parceiro Joe Johnston. O longa dividiu, e até hoje divide opiniões sobre a sua qualidade, pois embora a produção em si (efeitos especiais) tenha sido boa, existem discussões a respeito de muitos furos de roteiro, por exemplo. 

Aproveitando a data, o Mundo Jurássico BR traz a tradução exclusiva de uma entrevista que o diretor Johnston deu na época do lançamento do filme ao site americano About. Nela, ele abre o jogo sobre os problemas do filme, fala sobre as questões sobre o roteiro e outros aspectos da pesquisa e da produção de Jurassic Park III.


Joe Johnston tem uma carreira longa em filmes com muitos efeitos especiais, trabalhando desde os efeitos visuais da trilogia original de Star Wars até funções variadas na produção de Indiana Jones e o Templo da Perdição and Além da Eternidade [ambos dirigidos por Steven Spielberg], e finalmente dirigindo seus próprios filmes [Querida, Encolhi as Crianças (1989), Rocketeer (1991) e Jumanji (1995). Através de sua amizade com Steven Spielberg, Johnston havia pedido para dirigir o segundo filme de Jurassic, mas quando Spielberg decidiu dirigir ele mesmo, prometeu a Johnston que se acontecesse um terceiro filme, ele poderia assumir.
Aconteceu. Jurassic Park III estreiou em 18 de julho de 2001 com Johnston na direção. Sam Neil retorna como o Dr. Alan Grant, que é forçado a entrar em uma missão de resgate de um garoto que se perdeu na Isla Sorna, mas essa história veio a evoluir somente quando o longa já estava sendo filmado. 


O Mundo Perdido teria sido muito diferente se você o tivesse dirigido?
Bem, eu me ofereci para fazer Mundo Perdido. Na verdade, não. Eu me ofereci para dirigir a sequência de Jurassic Park antes que ela fosse chamada de Mundo Perdido, antes mesmo do livro ser escrito, porque eu gostei do primeiro. Na verdade, gostei do segundo. Eu acho que se o segundo filme tivesse sido feito por qualquer um que não fosse Steven Spielberg, ele teria sido mais bem-recebido. Eu acho que Steven tem uma pressão sobre ele que ninguém mais nesse negócio tem. Espera-se muito dele e há muitas coisas com que ele tem que lidar, sendo auto-infligido também.
Então, o que você teria feito de diferente? 
Eu nunca estive envolvido com o projeto de qualquer maneira. Eu não sei. É uma questão impossível de se responder.


Spielberg ou Crichton estiveram envolvidos neste? 
Michael Crichton não se envolveu. Steven se envolveu na fase de escrita do roteiro e ele sempre esteve disponível quando eu precisava perguntar alguma coisa a ele.


O que significa estar envolvido na fase de escrita do roteiro se não houve um roteiro finalizado?
Bem, há outras duas versões dessa história que foram escritas. Haviam outras duas versões completas de Jurassic Park III que ele escreveu e fez storyboards e programou, e então jogou fora. Cinco semanas antes de começarmos a filmar esse filme, nós descartamos o roteiro e começamos novamente. Nós começamos a escrever em 1999, na verdade. Craig Rosenberg escreveu um roteiro em junho de 1999 que era sobre cinco ou seis jovens que ficavam presos na ilha. Era muito desestimulante, mesmo que não tenha sido mal escrito. Na verdade, era bom para o que era para ser, mas eu não acho que alguém quisesse ver aquele filme. E então houve um outro para o qual, além de storyboards e programação, nós fizemos também orçamento e começamos a procurar locações e até começamos a construir sets.


Qual era a segunda ideia?
Era uma ideia mais ou menos similar, embora não envolvesse um resgate. Envolvia uma família com uma criança e um pouso forçado de Grant e Billy na ilha. Havia uma história paralela na Costa Rica, onde dinossauros estariam migrando para o continente e matando pessoas, sendo que não se sabia quem, o que, ou porque estariam fazendo isso. No fim, seriam Pteranodontes. Era uma história completamente diferente, mas Steven se envolveu na concepção de todas as diferentes histórias. Então, David Koepp surgiu com a última ideia para uma missão de resgate, que Steven abraçou completamente como todos nós fizemos, e dissemos todos ao mesmo tempo, "Ei, temos que começar de novo. Nós temos que abandonar o que fizemos, porque essa ideia é melhor."
Os roteiros antigos tinham as mesmas sequências de ação?
Sim, houveram variações nelas porque o que nós tivemos de fazer àquela altura foi que nós tínhamos ido muito longe em questões de cronograma e orçamento, que nós tivemos que adaptar as sequências para a nova ideia. Houve uma sequência no aviário que foi muito, muito longa, desnecessariamente longa, eu acho, e nós tivemos que adaptá-la para a nova história. Houve uma sequência no laboratório que foi mais complicada onde eles, na verdade, entravam lá, passavam a noite e faziam de lá uma base de operações, e os Raptores foram entrando e atacando o laboratório. Era mais ou menos a mesma ideia, apenas mais elaborada e mais desnecessariamente complicada. Então, nós tentamos pegar essas ideias e adaptá-las.


Em que ponto vocês tiveram o roteiro final? 
Nós nuca tivemos um roteiro final. Nós não tivemos um roteiro final antes do término das filmagens do filme. Nós filmamos páginas que depois estavam no roteiro final, mas nós não tínhamos um documento. A brincadeira no set era de que o roteiro seria o presente para quando terminássemos de filmar. Nós tínhamos um roteiro do dia que estávamos filmando e talvez do próximo. No máximo, da semana. Mas nunca tivemos uma história que tivesse começo, meio e fim enquanto estávamos fazendo o filme. Nós tivemos que voltar ao Havaí para filmar o final porque quando estivemos lá da primeira vez, nós não sabíamos qual seria o final.
A intenção sempre foi de que o filme tivesse 90 minutos?
Não, mas eu acho que o filme é tão longo quanto precisa ser. Nunca foi muito longo. Talvez seis ou sete minutos mais longo fosse a duração do maior corte. Eu não acho que filmes devam ter um tempo de duração específico ou mínimo. Quero dizer, se fosse 70 minutos, eu diria que seria muito curto, mas 90, 94 minutos com os créditos, é um tempo confortável para sentar na poltrona, e toda a história evolui, então não acho que deixamos faltar alguma coisa.



Naquela cena em que eles encontram a câmera de vídeo, mas só é mostrado alguém a desligando, foi uma referência à Bruxa de Blair, algo como “porque eles continuariam filmando”?
Bem, A Bruxa de Blair foi mencionado enquanto escrevíamos essa cena. Eu tenho que admitir, aquilo me incomodou um pouco em A Bruxa de Blair, aquelas pessoas correndo risco de vida, por que eles continuariam [filmando]. Eu gosto do filme. Se você entrar naquele contexto em que eles são documentaristas que vão deixar a câmera ligada o tempo todo, você compra a ideia. Mas eu pensei que a resposta perfeita era, “ei, a câmera continua ligada.” Click. Sabe? Você não quer saber o que acontece com eles, de qualquer modo. Havia outra versão daquela cena, em que a câmera era derrubada quando Ben (Trevor Morgan) estava pendurado na árvore e ela caia no chão e você via o garoto em pé ali e algo se movendo no fundo, e ele virava e corria e você escutava um grito, mas não via nada. Você não precisa ver aquilo. Deixe o público decidir o que acontece depois.

Falando em Bruxa de Blair, suas cenas de ponto de vista correndo na selva são completamente suaves e não tremidas. Como você conseguiu essas tomadas tão suaves?
Usando apenas um dolly track [trilhos usados nas produções cinematográficas para criar movimentos suaves de câmera]. Um motivo é que é muito difícil carregar uma câmera Panavision na selva e correr depressa, mesmo em um steadicam [equipamento para estabilizar a câmera]. Na verdade, muitas das cenas nas passarelas e no aviário foram filmadas com um steadicam. Se você notar, as tomadas de ponto de vista sempre vêm antes das tomadas que te contam que elas eram ponto de vista.
Do ponto de vista do personagem, você acha que Grant retorna apenas por dinheiro?
Bem, eu acho que a ilha é o último lugar que ele gostaria de estar. Eu não acho que ele volte por curiosidade. Eu acho que se Grant tivesse certeza que o avião não pousaria na ilha, ele retornaria pelo dinheiro para manter a sua escavação funcionando porque eu acho que ele realmente acredita que a verdade sobre os dinossauros está nos fósseis. Pelo menos é no que ele acredita no início de Jurassic Park III. Sim, eu acredito que ele voltaria como um astrônomo e não um astronauta para sobrevoar a ilha, dar a eles um passeio aéreo, se isso significa manter a sua escavação. É claro, isso não ocorreu, já que o cheque era sem fundo.
Ele não deveria ter verificado a situação do cheque primeiro?
Não se a cena em que o cheque é assinado é de noite e a próxima tomada é do avião voando ao amanhecer, que foi o que aconteceu. Ele teve que partir no mesmo dia.


 De onde veio o chamado dos velociraptores?
Bom, há diversas evidências de que os dinossauros eram capazes de se comunicarem de uma maneia relativamente sofisticada. Existe um dinossauro chamado parassaurolofo que tinha uma crista como parte do seu crânio que continha uma câmara de ressonância. A câmara em si tinha 60 centímetros. A teoria era que esse dinossauro podia emitir uma variedade de sons e se comunicar com outros dinossauros. Novamente, é uma teoria como tudo na paleontologia. Então, não é totalmente insano que um raptor possa usar o tecido mole na sua área nasal para produzir algum tipo de som e se comunicar do mesmo modo que os pássaros fazem. Existem várias evidências de que diversas espécies de animais se comunicam. Então eu não acho que nós estávamos quebrando nenhuma regra ou criando algo que fosse cientificamente impossível.
Como, tecnicamente, você criou os sons?
Os sons são de um pássaros e passaram por um processo, e os designers de som têm uma biblioteca. Os rapazes que fizeram isso estavam no Rancho Skywalker. Eles tinham todas as coisas de Jurassic Park em sua biblioteca além de todas as coisas de Star Wars e todas essas boas fontes para sons. Eu não tenho certeza do que eles usaram.
O espinossauro realmente existia?
Sim. O espinossauro foi descoberto no final do século XIX no oriente médio, eu acho que no Egito. Havia um esqueleto fóssil quase completo que estava em um museu em Berlim, que foi bombardeado durante a guerra. Ele foi totalmente destruído. Era o único exemplar do espinossauro. Então, nos anos 1980, foram descobertos novos exemplares dele. Acredita-se que o maior espinossauro, baseando-se por parte da mandíbula, tinha 16.7 metros de comprimento, maior que qualquer T. rex já encontrado.
O final foi deixado em aberto para outra sequência?
Eu queria acabar o filme com uma cena mostrando as criaturas como graciosas, bonitas e elegantes, não é uma preparação para a sequência. Steven teve uma grande idéia para o quarto filme que, até onde eu sei, não envolve os pteranodontes. A ideia leva Jurassic Park para uma nova direção. De fato, o fim do filme parece estar preparando uma sequência, que eles vão voar para Vancouver e fazer um ninho ou algo assim, mas não é caso.
Você dirigiria o próximo filme?
Eu acho que, contratualmente, eles precisam me oferecer isso primeiro, mas eu não assinei para outro filme. Eu acho que gostaria que outra pessoa tivesse o divertimento da próxima vez.
Finalmente, foi difícil conseguir os direitos de usar o Barney quando o garotinho estava assistindo televisão?
Sabe, foi incrivelmente fácil conseguir os direitos do Barney. O pessoal do Barney ficou extasiado com o fato que nós gostaríamos de usá-lo e não custou nada, tipo dois mil dólares.

A entrevista é interessante e mostra, ao menos, o porque de Jurassic Park III ter tantos problemas de roteiro, já que incrivelmente não houve um roteiro. Numa produção de um filme tão grande quanto um Jurassic, é uma lástima que iniciem a produção sem ao menos ter um roteiro bom ou que se tenha certeza de que irá ao final com ele.

Talvez por isso tenham demorado tanto para fazer o quarto filme da franquia. Já que a experiência com o terceiro não foi agradável, tentaram desenvolver o máximo para se ter o melhor roteiro possível. E isso, eu acredito ser o certo ao se fazer. É melhor que se demore para fazer algo bem feito.

Jurassic Park III não é um filme horrível, nem um filme fantástico. Para mim, é regular. A história tem vários furos de roteiros, como um garoto sobrevivendo 8 semanas sozinho em uma ilha como aquela, um barco sendo atacado pelo nada, cenas toscas (Raptor falando com Alan, Ceratossauro ignorando humanos, etc.) Poderia ter sido muitíssimo melhor se houvesse um cuidado maior com a produção. Talvez a culpa não tenha sido exclusivamente do diretor Joe Johnston, mas da Universal, que impediu que o filme fosse adiado.

Mas, enfim. O que vocês pensam sobre o terceiro filme da franquia? Também acham que poderia ter sido melhor? Comente aí!

Créditos da entrevista: About.
Créditos de tradução: Mundo Jurássico BR.
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Sobre os autores


Victor Nunes é o fundador da rede Mundo Jurássico BR. Com 18 anos de idade, reside em Guarulhos/SP, cursa Engenharia de Produção pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e é fã de Jurassic Park desde seus 8 anos, além de curtir outras produções de cinema e televisão da cultura pop. | Facebook | Twitter

Bruno Fernando é editor do Mundo Jurássico BR desde junho de 2015. Apaixonado pelo clássico de Spielberg desde criança, conheceu o romance original de Michael Crichton na adolescência e hoje, com 18 anos, se considera um fã de cultura pop e futuro jornalista.
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